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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Os primeiros formados

O Almanaque do Ceará de 1922 deve ser um dos documentos mais antigos que se pode encontrar com um texto razoável relatando como foram os primeiros anos de funcionamento da Escola de Aprendizes Artífices do Ceará.

Nele achei uma lista interessante sobre os primeiros alunos formados. O relato, que deve ser de Carlos Câmara, aponta para as dificuldade de permanência na escola, por parte dos alunos, e por isso o número reduzido de concluintes. A lista a seguir é tirada dessa publicação e aponta para um número muito grave: apenas 13 alunos concluirão os cursos num período de 11 anos de funcionamento entre 1910 e 1921.

Francisco de Assis e Silva - Alfaiate
José Gonçalves - Alfaiate
Alfredo Faustino - Tipógrafo/encadernador
Octávio Cavalcante Bastos - Tipógrafo/encadernador
Manoel Soares da Silva - Marceneiro/carpinteiro
Francisco Cavalcante Costa - Marceneiro/carpinteiro
Raymundo Lopes Carneiro - Marceneiro/carpinteiro
José Gonçalves Ramos - Marceneiro/carpinteiro
Walfrido de Souza - Marceneiro/carpinteiro
Francisco Enrich Filho - Ferreiro/serralheiro/mecânico
Raymundo Felippe - Ferreiro/serralheiro/mecânico
Raymundo de Castro Cunha - Ferreiro/serralheiro/mecânico
Francisco Soares da Costa - Ferreiro/serralheiro/mecânico

Infelizmente o texto não fala em que ano cada um deles se formou, mas o registro das centenas de alunos que passaram pela escola por esses 11 anos deixa claro que esse é um número muito reduzido, até mesmo para uma turma normal que geralmente era composta por 30 alunos.

Futuramente publicarei imagens do artigo completo do Almanaque do Ceará de 1922 para que possam fazer suas próprias considerações.

Os Dirigentes

Fazer uma pesquisa histórica sobre a instituição que hoje é o Instituto Federal do Ceará com suas várias transformações é uma tarefa muito difícil, especialmente por causa dessas transformações. Mas por isso mesmo é uma tarefa tão necessária. 

Fazer um apanhado histórico dos Gestores acabou poder ser uma tarefa complexa porque essa história acabou não sendo tão bem preservada. Ações e tarefas não são bem marcadas ou guardadas e o que parece mais evidente é o que ainda tem placa de inauguração na sede que hoje é o Campus da Av. 13 de Maio. Não sabemos bem quais foram os períodos exatos, apesar de que existe uma exposição de retratos dos ex dirigentes no hall do Auditório Castelo Branco. Documentos como decretos e notícias de jornais dão conta de datas diferentes em alguns casos entre as gestões, mas no final a lista abaixo é bem realista sobre datas.

A Escola de Aprendizes Artífices iniciou seu planejamento ainda em 1909 sob o comando de José Pompeu de Souza Brasil. Seu comando não durou muito, ficando apenas até o dia 2 de abril de 1910. No dia 7 de abril de 1910 entrou no cargo o filho homônimo de Thomas Pompeo de Sousa Brasil. O próximo diretor foi Sebastião Cavalcante de Albuquerque ficando no comando até 2 de setembro de 1912. Em seguida foi nomeado o jornalista Hermenegildo de Brito Firmeza que fica no cargo até a entrada de Carlos Torres Câmara em 1913. Carlos Câmara ficou no comando até seu falecimento em 11 de março de 1939. Um parêntese no comando de Câmara aconteceu entre 1924 e 25. Ernesto Argento trocou de direção com Carlos, que foi para a EAA de Sergipe. Provavelmente por alguma questão administrativa, e que ambos retomaram as gestões das Escolas depois de aproximadamente um ano.

Esses foram os gestores da Escola de Aprendizes e Artífices. Em 1937, a Lei nº 378 de 13 de janeiro, que reorganizou o Ministério da Educação e Saúde, deu novo nome às Escolas, que passaram a ser chamadas de Liceus. No Ceará, primeiro foi o Liceu Industrial de Fortaleza, depois Liceu Industrial do Ceará. Durante essas mudanças no Governo Federal, em Fortaleza, Carlos Câmara, parece se articular com o Interventor Menezes Pimentel, que já articulava a transferência da instituição para imóvel definitivo, adquirido pelo governo do Ceará em junho de 1937. Em 4 de maio de 1939, por meio do Decreto nº 548, o Ceará dou o terreno da Av. 13 de maio que hoje é a sede do IFCE.

Waldyr Diogo de Siqueira sucedeu Carlos Camara até 1951. Ele foi o responsável pela mudança da instituição que passou a ser o Escola Industrial do Ceará, inaugurando a sede definitiva na Avenida 13 de maio em 19 de março de 1952. Em seguida toma posse no cargo Jorge Raupp, que ficou na direção até 23 de janeiro de 1957, quando faleceu. O período de gestão de José Roberto tem como grande destaque a consolidação da estrutura básica do campus, mas ainda sem muitos documentos a pesquisar. Destaca-se a criação da Biblioteca Waldyr Diogo de Siqueira, em 1968, e o plano para os espaços esportivos. A construção do ginásio foi concluído na gestão de Raimundo Araripe, que o batizou em homenagem a José Roberto, recentemente falecido.

Durante a diretoria de Raimundo César a Escola Técnica Federal do Ceará se consolidou como principal instituição de ensino técnico do Ceará. Uma estrutura bem equipada e organizada. A construção de várias melhorias em sua estrutura aconteceram na gestão de Raimundo Araripe: Parque aquático, biblioteca, novos blocos de construção civil e eletrotécnica e mais equipamentos e oferta de mais vagas.

Com a mudança para Centro Federal de Educação Tecnológica, CEFET-CE houve o fim da gestão de Raimundo Araripe, o fim da Escola Técnica Federal. Nas gestões posteriores, mandados com trocas mais constantes na gestão fez a instituição planejar suas ações de maneira mais coordenada e rotativa, mesmo tendo sido um período em que o Governo Federal não valorizou a gestão pública do ensino tecnológico. A mudança trouxe o ensino superior para o CEFET. 

Lista de gestores

José Pompeu de Souza Brasil ---------------------- 23.09.1909 - 02.04.1910
Thomas Pompeu de Sousa Brasil ----------------- 07.04.1910 - 01.07.1911
Sebastião Cavalcante de Albuquerque ---------- 01.07.1911 - 02.09.1912
Hermenegildo de Brito Firmeza -------------------- 04.09.1912 - 06.08.1913
Carlos Torres Câmara -------------------------------- 25.08.1913 - 31.01.1924
Ernesto Argenta ---------------------------------------- 01.02.1924 - 07.06.1925
Carlos Torres Câmara --------------------------------- 08.06.1925 - 11.03.1939
Waldyr Diogo de Siqueira --------------------------- 29.03.1939 - 23.01.1951
Jorge Raupp -------------------------------------------- 24.09.1951 - 23.01.1957
José Roberto de Mello Barreto --------------------- 25.04.1957 - 05.07.1969
Raimundo César Gadelha de Alencar Araripe - 25.07.1969 - 05.07.1990
José de A. Tavares Rocha --------------------------- 05.07.1990 - 30.07.1994
Samuel Brasileiro Filho ------------------------------ 30.07.1994 - 01.07.1998
Antonio Mauro Barbosa de Oliveira -------------- 02.07.1998 - 01.06.2004
Luiz Orlando Rodrigues ------------------------------ 01.09.2004 - 02.01.2005


terça-feira, 2 de maio de 2017

Representação e Associativismo estudantil

Não me lembro bem quando comecei a me interessar pelo associativismo estudantil, acho que foi quando tava ainda no colégio e lendo a Constituição do Ceará, no art.215, §2º Serão também incluídas, como disciplinas obrigatórias dos currículos nas escolas públicas e privadas de 1° e 2° graus, matérias sobre cooperativismo e associativismo. Ai eu me questionava porque meu colégio não tinha Grêmio. Eu também não tive iniciativa de discutir sobre esse tipo de conteúdo de associativismo e de institucionalização com meus colegas. Fato é que eu tava um pouco, só um pouco, não suficiente, insatisfeito para confrontar a estrutura estabelecida e criar um discurso para entender e saber os motivos da não existência disso.

Depois, na universidade, cursando Ciências Sociais na Universidade Estadual do Ceará, eu me envolvi de cada com o Centro Acadêmico do curso e fiz parte da gestão que entrou na entidade em 2000. Mas insatisfeito com o forma e as propostas da instituição acabei não me envolvendo com a continuidade da instituição. Na verdade eu fiz parte do grupo que fez o CACS ser descontinuado, um grupo que se dizia anarquista, mas que eu não fazia parte das discussões teóricas. Era um grupo que intervia anarquicamente para desarticular as instituições que não estavam servindo ao propósito da emancipação humana.

Então eu comecei a rever minha visão de que descontinuar a instituição não é a solução para o problema da emancipação. Criticar a instituição como uma estrutura de dominação e alienação não resolver o problema com a inexistência dela. Usar a instituição como um mecanismo para a transformação do processo emancipatório para uma efetividade da emancipação é que deve ser a luta. Nesse sentido eu estabeleci um pensamento de que a representação estudantil é processo fundamental de aprendizado para a emancipação. Fazer parte de uma entidade que representa uma coletividade que congrega pessoas que você gosta e que você não gosta é um exercício de humanidade fundamental para o exercício de emancipação humana.

Ao tomar posse no Serviço Público no IFCE, especificamente ao começar o trabalho em Canindé, eu sempre apoiei o associativismo estudantil. A gestão do Campus Canindé sempre apoiou, tanto o Prof. Evandro Martins, quanto o Prof, Vidal, fizeram valer a representatividade das entidades para as causas dos estudantes. O Prof. Evandro sempre reconheceu a importância do movimento estudantil, notadamente pelo apoio e mobilização dos estudantes secundaristas de Canindé e região, para a efetivação da instalação do Campus Canindé.

Depois fui trabalhar no Campus Maracanaú prestando serviço no Departamento de Extensão Pesquisa e Inovação e fui designado pelo Diretor Geral, Prof. Júlio César para organizar um novo espaço destinado às entidades estudantis do campus, que tinha sido inaugurado em 2015, mas que precisava de mobiliário, equipamentos e outras materiais para funcionar. Ajudamos aos alunos na mobilização e também nas discussões para a implementação de Empresas Juniores, mas acabei saindo de Maracanaú antes de efetivar a organização dessas entidades nos espaços. Em Fortaleza, ainda sem nada definido nem conhecendo como a gestão do campus trabalha com as entidades, estou elaborando um plano de trabalho como um projeto de extensão para viabilizar uma mudança de postura e uma nova forma de fortalecer e dar visibilidade às entidades estudantis.

O estado atual do Campus Fortaleza com suas entidades é a seguinte:


  • Diretório Central dos Estudantes José Montenegro de Lima
    • Centro Acadêmico de Engenharia de Telecomunicações (CAET)
    • Centro Acadêmico de Engenharia da Computação (CAECOMP)
    • Centro Acadêmico de Engenharia Civil
    • Centro Acadêmico de Engenharia Mecatrônica
    • Centro Acadêmico do Bacharelado em Turismo (CATUR)
    • Centro Acadêmico da Telemática (CATEL)
    • Centro Acadêmico de Saneamento Ambiental
    • Centro Acadêmico Nice Firmeza - Licenciatura em Artes
    • Centro Acadêmico da Matemática


  • Grêmio Estudantil IFCE