Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de junho de 2021

O Campus da Av. 13 de maio - 2

O jornal "A Razão" de 21 de fevereiro de 1937 deu a seguinte manchete: "A ANGUSTIOSA SITUAÇÃO DO 'FOOT-BALL' CEARENSE". É um artigo sobre como o "Campo do Prado" vai deixar de existir porque o Governo do Estado comprou o terreno para que naquele lugar pudesse ser construído a sede definitiva da Escola de Aprendizes Artífices do Ceará.



Imagem do Jornal A Razão obtida da Hemeroteca da Biblioteca Nacional



Essa é a arquibancada do Campo do Prado, provavelmente a área de platéia em frente ao que era o "paddock" da pista de corrida de cavalos.

Vista aérea do hipódromo do antigo "Jockey Club"


Aqui a gente vê um grupo de homens realizando atividades físicas e ao fundo os barracões de palha onde eram alojados os trabalhadores que iriam para a Amazônia realizar a extração de látex para o serviço de Guerra durante o período em que o Brasil aderiu aos Aliados e criou o  Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Jorge Feijor Raupp

A primeira vez que ouvi falar de Jorge Raupp foi sobre a história de sua morte e já contei isso aqui, mas fique curioso depois que busquei saber sobre a vida dos diretores da instituição e muito frustrado por saber que não tem muita coisa por ai na Internet. Então resolvi fazer essa pesquisa, só com o que é possível achar na internet e vamos ver no que deu.

Jorge Feijor Raupp nasceu no Rio Grande do Sul em 1903 entre  18 de dezembro ou 19 de dezembro. Era engenheiro civil e veio para o Ceará em 1928 para ser professor da Escola de Aprendizes Artífices do Ceará e já tinha passado pela EAA de Pernambuco. Casou com Francisquinha com quem teve Yeda e Iran. Foi designado em 1930 para a Reformulação do ensino profissional Tecnico. Em 1931 Jorge ganhou um concurso que escolheu uma arte gráfica para a capa do "Album de Fortaleza". Em 1936 Raupp inaugura uma loja para produção de cliches e outros produtos gráfico chamada de "Fotogravure D´Aguerre". Já em 1951 foi para os Estados Unidos, onde passou por treinamento sobre educação industrial e em seu retorno foi conduzido à Direção da Escola Industrial de Fortaleza. Em 1953 fez parte de comissão que deu nova orientação ao ensino profissional. Faleceu em 23 de janeiro de 1957.

Esse é são os fatos que consegui apurar, mas acredito que ele deve ter tido uma trajetória rica, notadamente por ter sido um diretor da Escola Industrial em um momento tão marcante da história do Brasil. Pretendo fazer novas pesquisas no IFCE e em bibliotecas para enriquecer essa historiografia.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Antes que ninguém conte, Eu conto...

Organizando o ambiente do Departamento de Telemática acabei achando um livro da colega de IF, Severina Gadelha, pedagoga que se aposentou em 2015. Um texto formidável que resume uma parte muito importante da Escola Técnica e Cefet, entre 1974 e 2004. O texto é uma análise e amostragem dos Encontros Pedagógicos que ocorreram nesse período mostrando os temas e como foi o debate.

Recomendo a leitura a todos que se interessam pela história do IFCE. Estou compartilhando o livro digitalizado para que mais pessoas possam ter acesso. Basta clicar na imagem da capa do livro.


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Almanaque do Ceará 1922 - Escola de Aprendizes Artífices

Abaixo segue as páginas do Almanaque do Ceará de 1922 que falam da Escola de Aprendizes Artífices do Ceará. Para quem quiser toda a coleção de Almanaques do Ceará é possível comprar por R$25,00 no site do Instituto do Ceará.









Os primeiros formados

O Almanaque do Ceará de 1922 deve ser um dos documentos mais antigos que se pode encontrar com um texto razoável relatando como foram os primeiros anos de funcionamento da Escola de Aprendizes Artífices do Ceará.

Nele achei uma lista interessante sobre os primeiros alunos formados. O relato, que deve ser de Carlos Câmara, aponta para as dificuldade de permanência na escola, por parte dos alunos, e por isso o número reduzido de concluintes. A lista a seguir é tirada dessa publicação e aponta para um número muito grave: apenas 13 alunos concluirão os cursos num período de 11 anos de funcionamento entre 1910 e 1921.

Francisco de Assis e Silva - Alfaiate
José Gonçalves - Alfaiate
Alfredo Faustino - Tipógrafo/encadernador
Octávio Cavalcante Bastos - Tipógrafo/encadernador
Manoel Soares da Silva - Marceneiro/carpinteiro
Francisco Cavalcante Costa - Marceneiro/carpinteiro
Raymundo Lopes Carneiro - Marceneiro/carpinteiro
José Gonçalves Ramos - Marceneiro/carpinteiro
Walfrido de Souza - Marceneiro/carpinteiro
Francisco Enrich Filho - Ferreiro/serralheiro/mecânico
Raymundo Felippe - Ferreiro/serralheiro/mecânico
Raymundo de Castro Cunha - Ferreiro/serralheiro/mecânico
Francisco Soares da Costa - Ferreiro/serralheiro/mecânico

Infelizmente o texto não fala em que ano cada um deles se formou, mas o registro das centenas de alunos que passaram pela escola por esses 11 anos deixa claro que esse é um número muito reduzido, até mesmo para uma turma normal que geralmente era composta por 30 alunos.

Futuramente publicarei imagens do artigo completo do Almanaque do Ceará de 1922 para que possam fazer suas próprias considerações.

Os Dirigentes

Fazer uma pesquisa histórica sobre a instituição que hoje é o Instituto Federal do Ceará com suas várias transformações é uma tarefa muito difícil, especialmente por causa dessas transformações. Mas por isso mesmo é uma tarefa tão necessária. 

Fazer um apanhado histórico dos Gestores acabou poder ser uma tarefa complexa porque essa história acabou não sendo tão bem preservada. Ações e tarefas não são bem marcadas ou guardadas e o que parece mais evidente é o que ainda tem placa de inauguração na sede que hoje é o Campus da Av. 13 de Maio. Não sabemos bem quais foram os períodos exatos, apesar de que existe uma exposição de retratos dos ex dirigentes no hall do Auditório Castelo Branco. Documentos como decretos e notícias de jornais dão conta de datas diferentes em alguns casos entre as gestões, mas no final a lista abaixo é bem realista sobre datas.

A Escola de Aprendizes Artífices iniciou seu planejamento ainda em 1909 sob o comando de José Pompeu de Souza Brasil. Seu comando não durou muito, ficando apenas até o dia 2 de abril de 1910. No dia 7 de abril de 1910 entrou no cargo o filho homônimo de Thomas Pompeo de Sousa Brasil. O próximo diretor foi Sebastião Cavalcante de Albuquerque ficando no comando até 2 de setembro de 1912. Em seguida foi nomeado o jornalista Hermenegildo de Brito Firmeza que fica no cargo até a entrada de Carlos Torres Câmara em 1913. Carlos Câmara ficou no comando até seu falecimento em 11 de março de 1939. Um parêntese no comando de Câmara aconteceu entre 1924 e 25. Ernesto Argento trocou de direção com Carlos, que foi para a EAA de Sergipe. Provavelmente por alguma questão administrativa, e que ambos retomaram as gestões das Escolas depois de aproximadamente um ano.

Esses foram os gestores da Escola de Aprendizes e Artífices. Em 1937, a Lei nº 378 de 13 de janeiro, que reorganizou o Ministério da Educação e Saúde, deu novo nome às Escolas, que passaram a ser chamadas de Liceus. No Ceará, primeiro foi o Liceu Industrial de Fortaleza, depois Liceu Industrial do Ceará. Durante essas mudanças no Governo Federal, em Fortaleza, Carlos Câmara, parece se articular com o Interventor Menezes Pimentel, que já articulava a transferência da instituição para imóvel definitivo, adquirido pelo governo do Ceará em junho de 1937. Em 4 de maio de 1939, por meio do Decreto nº 548, o Ceará dou o terreno da Av. 13 de maio que hoje é a sede do IFCE.

Waldyr Diogo de Siqueira sucedeu Carlos Camara até 1951. Ele foi o responsável pela mudança da instituição que passou a ser o Escola Industrial do Ceará, inaugurando a sede definitiva na Avenida 13 de maio em 19 de março de 1952. Em seguida toma posse no cargo Jorge Raupp, que ficou na direção até 23 de janeiro de 1957, quando faleceu. O período de gestão de José Roberto tem como grande destaque a consolidação da estrutura básica do campus, mas ainda sem muitos documentos a pesquisar. Destaca-se a criação da Biblioteca Waldyr Diogo de Siqueira, em 1968, e o plano para os espaços esportivos. A construção do ginásio foi concluído na gestão de Raimundo Araripe, que o batizou em homenagem a José Roberto, recentemente falecido.

Durante a diretoria de Raimundo César a Escola Técnica Federal do Ceará se consolidou como principal instituição de ensino técnico do Ceará. Uma estrutura bem equipada e organizada. A construção de várias melhorias em sua estrutura aconteceram na gestão de Raimundo Araripe: Parque aquático, biblioteca, novos blocos de construção civil e eletrotécnica e mais equipamentos e oferta de mais vagas.

Com a mudança para Centro Federal de Educação Tecnológica, CEFET-CE houve o fim da gestão de Raimundo Araripe, o fim da Escola Técnica Federal. Nas gestões posteriores, mandados com trocas mais constantes na gestão fez a instituição planejar suas ações de maneira mais coordenada e rotativa, mesmo tendo sido um período em que o Governo Federal não valorizou a gestão pública do ensino tecnológico. A mudança trouxe o ensino superior para o CEFET. 

Lista de gestores

José Pompeu de Souza Brasil ---------------------- 23.09.1909 - 02.04.1910
Thomas Pompeu de Sousa Brasil ----------------- 07.04.1910 - 01.07.1911
Sebastião Cavalcante de Albuquerque ---------- 01.07.1911 - 02.09.1912
Hermenegildo de Brito Firmeza -------------------- 04.09.1912 - 06.08.1913
Carlos Torres Câmara -------------------------------- 25.08.1913 - 31.01.1924
Ernesto Argenta ---------------------------------------- 01.02.1924 - 07.06.1925
Carlos Torres Câmara --------------------------------- 08.06.1925 - 11.03.1939
Waldyr Diogo de Siqueira --------------------------- 29.03.1939 - 23.01.1951
Jorge Raupp -------------------------------------------- 24.09.1951 - 23.01.1957
José Roberto de Mello Barreto --------------------- 25.04.1957 - 05.07.1969
Raimundo César Gadelha de Alencar Araripe - 25.07.1969 - 05.07.1990
José de A. Tavares Rocha --------------------------- 05.07.1990 - 30.07.1994
Samuel Brasileiro Filho ------------------------------ 30.07.1994 - 01.07.1998
Antonio Mauro Barbosa de Oliveira -------------- 02.07.1998 - 01.06.2004
Luiz Orlando Rodrigues ------------------------------ 01.09.2004 - 02.01.2005


quarta-feira, 31 de maio de 2017

O Campus da Av. 13 de Maio

As informações e imagens de como foi a inauguração da nova sede da "Escola Industrial do Ceará" ainda são bem difíceis de se achar na internet. É possível encontrar com algum esforço documentos, notícias e legislação sobre o tema, mas não sem muito trabalho.
Sabemos que o terreno da Av. 13 de Maio foi doado pelo Estado do Ceará em 1939. O Decreto de doação foi publicado no diário oficial em 1939, mas a aquisição do terreno foi feita em 1938. Mas demorou bastante tempo para que a nova sede da instituição ficasse pronta. Não encontrei quando foi feito o contrato para construção, mas ao que tudo indica, o terreno ficou sendo utilizado para organizar os alistados do "Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia" - SEMTA que recrutou milhares de retirantes das secas do começo da década de 1940 para extrair látex na Amazônia e fornecer aos Estados Unidos da América como parte do esforço da Segunda Guerra Mundial. Depois do fim do SEMTA, o local ainda serviu de abrigo para os retirantes dos anos de seca seguintes até uma possível estabilidade climática gerar condições para a retomada do projeto da sede da Escola Industrial de Fortaleza. Nesse tempo a instituição funcionava em um prédio no Centro de Fortaleza que era da antiga Rede de Viação Cearense, empresa ferroviária do Governo Federal. Esse prédio ainda existe como era no tempo em que funcionou nele o "Liceu Industrial de Fortaleza".



A empresa contratada para projetar e construir o Liceu Industrial foi a Construtora Emílio Hinko Ltda. O contrato aconteceu com a publicação em jornal de grande circulação no dia 24 de outubro de 1947. Emílio Hinko era um arquiteto na moda em Fortaleza e fez muitos prédios que são ícones da cidade, notadamente a sede atual do Náutico Atlético Clube e da Base Aérea de Fortaleza. A notícia datada de 19 de março de 1952 dá conta da entrega do novo edifício à administração, na época exercida por Jorge Raupp, mas não se tem nenhuma menção a solenidade de inauguração. Provavelmente será possível conferir algumas notícias na hemeroteca da Biblioteca Pública Menezes Pimentel que futuramente atualizarei aqui, como deverá ser bem provável que ainda exista uma cópia do projeto original com os descendentes de Emílio Hinko que devo tentar fotografar para divulgar nesse blog. 


No final de 1960 o Presidente Juscelino decretou a desapropriação dos imóveis que são colados com o Campus Fortaleza para fazer jus ao processo de consolidação do Liceu Industrial do Ceará. Por mais de 30 anos o decreto vigorou e nenhuma ação conseguiu efetivar a anexação dos 6 imóveis ao terreno total da instituição. Foi o Decreto 49.080 de 1960. 

Atualmente o Campus Fortaleza encontra-se em um nível de estrutura bastante complexo tendo anexado 3 dois 6 imóveis vizinhos além da construção e reforma de muitas dependências além de vários projetos de reformas que ainda estão por acontecer esperando fundos para efetivação. Acredito que o futuro do IFCE Campus Fortaleza guarda mais revoluções de seu espaço, notadamente a possível aquisição de imóveis próximos para fortalecer os laboratórios e áreas para pesquisa, ensino e extensão.

O Campus Fortaleza atualmente!

terça-feira, 30 de maio de 2017

Carlos Torres Câmara

Timbre em documento oficial da
Escola de Aprendizes Artífice do Ceará
em documento de 1914 acessível no site da FGV
Conheci a figura histórica de Carlos Torres Câmara depois de ter buscado a história do IFCE, seu passado enquanto Escola Técnica Profissional, enquanto Escola de Aprendizes Artífices. Carlos Câmara foi o dirigente que passou mais tempo no comando a Escola de Aprendizes Artífices. Foi ele mesmo o seu consolidador e defensor. Antes dele, passaram rápido, 4 gestores, que não deixaram sua marca no que estava acontecendo com a Escola de Artífices de Fortaleza. A Instituição começou a funcionar em 1910 e Carlos Câmara já estava no comando em 1913, logo foi um breve período de iniciação, sem transformações na instituição.

Foi publicado no "Almanaque do Ceará" de 1922 um relatório detalhado das atividades da Escola de Aprendizes Artífices. Nele consta os gastos anuais, as matrículas totais e a frequência média dos alunos. Consta ainda a lista dos alunos concludentes até 1921, dos cursos ofertados. O relatório apresenta a situação em que se encontrava a escola e como os esforços de Carlos Câmara resultaram em melhoramentos. Ressalta também a preocupação com a questão pedagógica. Sua preocupação foi abordada em publicação intitulada de Revista Pedagógica. Ela era bimestral e seu primeiro volume surgiu em janeiro de 1917. Barão de Studart é citado por Plácido Aderaldo Castelo em seu livro "História do Ensino no Ceará", dando notícia  de que a Revista Pedagógica foi uma publicação valiosa para a difusão do ensino e problemas pedagógicos e didáticos.

Imagem ilustrativa do Diário Oficial do Estado
com a publicação do Decreto nº 548.
Confira original no site do DOE.
Carlos Torres Câmara foi um jornalista. Se lançou na política e exerceu mandado de deputado estadual de 1909 até 1912. Escritor de peças de teatro e um dos fundadores do grupo teatral, Grêmio Dramático Familiar. membro da Academia Cearense de Letras, foi muito fecunda sua produção intelectual. Procurando a internet é possível conferir um monte de textos e suas produções. No site da Academia Cearense de Letras é possível conferir uma cronologia de sua biografia, entrevista e suas obras teatrais.

No livro de Plácido Castelo existe um relato que aponta para um fato conclusivo: foi Carlos Câmara quem comandava o já Liceu Industrial de Fortaleza, quando foi articulada a aquisição e construção de uma nova sede, definitiva, para a instituição. Tal fato aconteceu com o Decreto nº 548 de 4 de maio de 1939, 54 dias depois do falecimento de Carlos Câmara. A nova sede na Avenida 13 de maio foi inaugurado em 19 de março de 1952. Foi construído pela Construtora Emílio Hinko Ltda. Na época da inauguração era denominada "Escola Industrial do Ceará".

Assinatura de Carlos Torres Câmara acessível no site da FGV
Bibliografia
COSTA, Marcelo: Carlos Câmara: O mestre cearense da burleta. Fortaleza, SECULT, 1994
QUINDERÉ, Caio: A Poética de um tempo: Estudos sobre o teatro de Carlos Câmara. Fortaleza: Premius, 2008
DIÓGENES, Osmar: Asilo de mendicidade: memória histórica. Fortaleza: INESP, 1997
AZEVEDO, Miguel Ângelo: Cronologia Ilustrada de Fortaleza. Fortaleza: UFC, 2001

terça-feira, 2 de maio de 2017

Representação e Associativismo estudantil

Não me lembro bem quando comecei a me interessar pelo associativismo estudantil, acho que foi quando tava ainda no colégio e lendo a Constituição do Ceará, no art.215, §2º Serão também incluídas, como disciplinas obrigatórias dos currículos nas escolas públicas e privadas de 1° e 2° graus, matérias sobre cooperativismo e associativismo. Ai eu me questionava porque meu colégio não tinha Grêmio. Eu também não tive iniciativa de discutir sobre esse tipo de conteúdo de associativismo e de institucionalização com meus colegas. Fato é que eu tava um pouco, só um pouco, não suficiente, insatisfeito para confrontar a estrutura estabelecida e criar um discurso para entender e saber os motivos da não existência disso.

Depois, na universidade, cursando Ciências Sociais na Universidade Estadual do Ceará, eu me envolvi de cada com o Centro Acadêmico do curso e fiz parte da gestão que entrou na entidade em 2000. Mas insatisfeito com o forma e as propostas da instituição acabei não me envolvendo com a continuidade da instituição. Na verdade eu fiz parte do grupo que fez o CACS ser descontinuado, um grupo que se dizia anarquista, mas que eu não fazia parte das discussões teóricas. Era um grupo que intervia anarquicamente para desarticular as instituições que não estavam servindo ao propósito da emancipação humana.

Então eu comecei a rever minha visão de que descontinuar a instituição não é a solução para o problema da emancipação. Criticar a instituição como uma estrutura de dominação e alienação não resolver o problema com a inexistência dela. Usar a instituição como um mecanismo para a transformação do processo emancipatório para uma efetividade da emancipação é que deve ser a luta. Nesse sentido eu estabeleci um pensamento de que a representação estudantil é processo fundamental de aprendizado para a emancipação. Fazer parte de uma entidade que representa uma coletividade que congrega pessoas que você gosta e que você não gosta é um exercício de humanidade fundamental para o exercício de emancipação humana.

Ao tomar posse no Serviço Público no IFCE, especificamente ao começar o trabalho em Canindé, eu sempre apoiei o associativismo estudantil. A gestão do Campus Canindé sempre apoiou, tanto o Prof. Evandro Martins, quanto o Prof, Vidal, fizeram valer a representatividade das entidades para as causas dos estudantes. O Prof. Evandro sempre reconheceu a importância do movimento estudantil, notadamente pelo apoio e mobilização dos estudantes secundaristas de Canindé e região, para a efetivação da instalação do Campus Canindé.

Depois fui trabalhar no Campus Maracanaú prestando serviço no Departamento de Extensão Pesquisa e Inovação e fui designado pelo Diretor Geral, Prof. Júlio César para organizar um novo espaço destinado às entidades estudantis do campus, que tinha sido inaugurado em 2015, mas que precisava de mobiliário, equipamentos e outras materiais para funcionar. Ajudamos aos alunos na mobilização e também nas discussões para a implementação de Empresas Juniores, mas acabei saindo de Maracanaú antes de efetivar a organização dessas entidades nos espaços. Em Fortaleza, ainda sem nada definido nem conhecendo como a gestão do campus trabalha com as entidades, estou elaborando um plano de trabalho como um projeto de extensão para viabilizar uma mudança de postura e uma nova forma de fortalecer e dar visibilidade às entidades estudantis.

O estado atual do Campus Fortaleza com suas entidades é a seguinte:


  • Diretório Central dos Estudantes José Montenegro de Lima
    • Centro Acadêmico de Engenharia de Telecomunicações (CAET)
    • Centro Acadêmico de Engenharia da Computação (CAECOMP)
    • Centro Acadêmico de Engenharia Civil
    • Centro Acadêmico de Engenharia Mecatrônica
    • Centro Acadêmico do Bacharelado em Turismo (CATUR)
    • Centro Acadêmico da Telemática (CATEL)
    • Centro Acadêmico de Saneamento Ambiental
    • Centro Acadêmico Nice Firmeza - Licenciatura em Artes
    • Centro Acadêmico da Matemática


  • Grêmio Estudantil IFCE

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Retorno e Mitos

Estamos em 2017 e já passou muito tempo desde que tive a iniciativa de publicar algum texto sobre minhas experiências como servidor público. Esse blog surgiu de uma demanda de um grupos de servidores do IFCE Campus Canindé de discutir e organizar uma sessão sindical, mas devido á vários problemas, notadamente a não moradia de muitos servidores na localidade onde trabalhávamos, a ideia não vingou.

Esse ano eu completei 7 anos no serviço público no Instituto Federal. Muita coisa mudou, na instituição e em mim, mas a vontade de fazer a reflexão não mudou. Agora eu vou fazer de fato esse exercício. Vou tentar não expor pessoas, mas quero muito fazer as anotações de minhas impressões sobre os fatos que vivi diretamente e o que fiquei sabendo.

Vou começar pelo fato mais chocante que tive notícia aqui na instituição: a morte de um Diretor dentro do campus Fortaleza, por meio de um tiro disparado por um vigilante. O Diretor em questão, me diziam ter sido Iran Raupp, que tem até um auditório com esse nome. Mas a verdade, observando o que Nirez nos trás em seu livro "Cronologia ilustrada de Fortaleza" o Diretor, em questão, se chamava Jorge Raupp, e foi atacado por um funcionário, não identificado, apunhalando várias vezes no dia 14 de janeiro de 1957 e vindo a falecer em 23 de janeiro de 1957. Bem diferente a realidade do que se contou.

Eu não sei como esse tipo de coisa se transforma na história, mas fato é que existem muitos folclores aqui no IFCE. E eu vou tentar descobrir mais deles.

terça-feira, 13 de março de 2012

Seção Sindical em Canindé

Essa postagem foi editada em abril de 2017. A publicação original é de março de 2012.


Essa foi uma tentativa de organização dos servidores do Campus Canindé para, meio que, organizar uma associação, um sindicato. A intenção era ter soberania para negociar questões de trabalho, tanto frente aos movimentos do SINASEFE de Fortaleza, quanto o Nacional. A ideia ficou só no plano, reunir os servidores que estavam dispostos no início ficou muito complicado e inviabilizou o movimento associativista, tanto para ajuda, quanto para reivindicar. Abaixo segue texto original de uma discussão nossa.

"Para dar continuidade ao nosso desejo de concretizar um sindicato que atenda nossas demandas em Canindé tivemos na terça-feira, dia 13 de março, a primeira reunião para formalizar nossa entidade, SINASEFE Canindé. Marcamos a próxima reunião para o dia 27 de março, outra terça-feira. Nela deveremos já aprovar uma proposta de regimento e uma comissão de implantação, conforme estatuto do SINASEFE.

O sindicato pode realizar uma série de parcerias para melhorar a vida do servidor. Podemos ter convênios com diversas pessoas jurídicas tais como:

Ótica e Relojoaria
Agência de Viagens
Automotivo
Comércio e Serviços
Diversos
Drogaria e Perfumaria
Educação Infantil
Ensino Fundamental
Ensino Médio
Ensino Superior
Ensino Técnico
Escola de Idiomas
Esporte e Lazer
Estética
Eventos
Farmácia de Manipulação
Informática
Pós-Graduação
Posto de Gasolina
Pousadas, Chalés, Hotéis, Colonias férias, clubes
Restaurantes
Roupas e Acessórios
Saúde
Terapia
Veterinária

Basta a gente se organizar, identificar um interesse e a disponibilidade dos ofertantes desses produtos e serviços em Canindé ou onde quer que a gente possa demonstrar alguma vantagem para os conveniados.

Surgimos como uma proposta de sindicato para estar mais próximo de nossa realidade, sem dependência de entidades onde de nossa realidade e que traga benefícios para nosso dia-a-dia.

Para aumentar as fileiras das lutas já empenhadas pelo SINASEFE e para dar uma amparo diário de nossas atividades e necessidades é que queremos a criação da Seção Sindical SINASEFE Canindé."