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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Jorge Feijor Raupp

A primeira vez que ouvi falar de Jorge Raupp foi sobre a história de sua morte e já contei isso aqui, mas fique curioso depois que busquei saber sobre a vida dos diretores da instituição e muito frustrado por saber que não tem muita coisa por ai na Internet. Então resolvi fazer essa pesquisa, só com o que é possível achar na internet e vamos ver no que deu.

Jorge Feijor Raupp nasceu no Rio Grande do Sul em 1903 entre  18 de dezembro ou 19 de dezembro. Era engenheiro civil e veio para o Ceará em 1928 para ser professor da Escola de Aprendizes Artífices do Ceará e já tinha passado pela EAA de Pernambuco. Casou com Francisquinha com quem teve Yeda e Iran. Foi designado em 1930 para a Reformulação do ensino profissional Tecnico. Em 1931 Jorge ganhou um concurso que escolheu uma arte gráfica para a capa do "Album de Fortaleza". Em 1936 Raupp inaugura uma loja para produção de cliches e outros produtos gráfico chamada de "Fotogravure D´Aguerre". Já em 1951 foi para os Estados Unidos, onde passou por treinamento sobre educação industrial e em seu retorno foi conduzido à Direção da Escola Industrial de Fortaleza. Em 1953 fez parte de comissão que deu nova orientação ao ensino profissional. Faleceu em 23 de janeiro de 1957.

Esse é são os fatos que consegui apurar, mas acredito que ele deve ter tido uma trajetória rica, notadamente por ter sido um diretor da Escola Industrial em um momento tão marcante da história do Brasil. Pretendo fazer novas pesquisas no IFCE e em bibliotecas para enriquecer essa historiografia.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Antes que ninguém conte, Eu conto...

Organizando o ambiente do Departamento de Telemática acabei achando um livro da colega de IF, Severina Gadelha, pedagoga que se aposentou em 2015. Um texto formidável que resume uma parte muito importante da Escola Técnica e Cefet, entre 1974 e 2004. O texto é uma análise e amostragem dos Encontros Pedagógicos que ocorreram nesse período mostrando os temas e como foi o debate.

Recomendo a leitura a todos que se interessam pela história do IFCE. Estou compartilhando o livro digitalizado para que mais pessoas possam ter acesso. Basta clicar na imagem da capa do livro.


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Os Dirigentes

Fazer uma pesquisa histórica sobre a instituição que hoje é o Instituto Federal do Ceará com suas várias transformações é uma tarefa muito difícil, especialmente por causa dessas transformações. Mas por isso mesmo é uma tarefa tão necessária. 

Fazer um apanhado histórico dos Gestores acabou poder ser uma tarefa complexa porque essa história acabou não sendo tão bem preservada. Ações e tarefas não são bem marcadas ou guardadas e o que parece mais evidente é o que ainda tem placa de inauguração na sede que hoje é o Campus da Av. 13 de Maio. Não sabemos bem quais foram os períodos exatos, apesar de que existe uma exposição de retratos dos ex dirigentes no hall do Auditório Castelo Branco. Documentos como decretos e notícias de jornais dão conta de datas diferentes em alguns casos entre as gestões, mas no final a lista abaixo é bem realista sobre datas.

A Escola de Aprendizes Artífices iniciou seu planejamento ainda em 1909 sob o comando de José Pompeu de Souza Brasil. Seu comando não durou muito, ficando apenas até o dia 2 de abril de 1910. No dia 7 de abril de 1910 entrou no cargo o filho homônimo de Thomas Pompeo de Sousa Brasil. O próximo diretor foi Sebastião Cavalcante de Albuquerque ficando no comando até 2 de setembro de 1912. Em seguida foi nomeado o jornalista Hermenegildo de Brito Firmeza que fica no cargo até a entrada de Carlos Torres Câmara em 1913. Carlos Câmara ficou no comando até seu falecimento em 11 de março de 1939. Um parêntese no comando de Câmara aconteceu entre 1924 e 25. Ernesto Argento trocou de direção com Carlos, que foi para a EAA de Sergipe. Provavelmente por alguma questão administrativa, e que ambos retomaram as gestões das Escolas depois de aproximadamente um ano.

Esses foram os gestores da Escola de Aprendizes e Artífices. Em 1937, a Lei nº 378 de 13 de janeiro, que reorganizou o Ministério da Educação e Saúde, deu novo nome às Escolas, que passaram a ser chamadas de Liceus. No Ceará, primeiro foi o Liceu Industrial de Fortaleza, depois Liceu Industrial do Ceará. Durante essas mudanças no Governo Federal, em Fortaleza, Carlos Câmara, parece se articular com o Interventor Menezes Pimentel, que já articulava a transferência da instituição para imóvel definitivo, adquirido pelo governo do Ceará em junho de 1937. Em 4 de maio de 1939, por meio do Decreto nº 548, o Ceará dou o terreno da Av. 13 de maio que hoje é a sede do IFCE.

Waldyr Diogo de Siqueira sucedeu Carlos Camara até 1951. Ele foi o responsável pela mudança da instituição que passou a ser o Escola Industrial do Ceará, inaugurando a sede definitiva na Avenida 13 de maio em 19 de março de 1952. Em seguida toma posse no cargo Jorge Raupp, que ficou na direção até 23 de janeiro de 1957, quando faleceu. O período de gestão de José Roberto tem como grande destaque a consolidação da estrutura básica do campus, mas ainda sem muitos documentos a pesquisar. Destaca-se a criação da Biblioteca Waldyr Diogo de Siqueira, em 1968, e o plano para os espaços esportivos. A construção do ginásio foi concluído na gestão de Raimundo Araripe, que o batizou em homenagem a José Roberto, recentemente falecido.

Durante a diretoria de Raimundo César a Escola Técnica Federal do Ceará se consolidou como principal instituição de ensino técnico do Ceará. Uma estrutura bem equipada e organizada. A construção de várias melhorias em sua estrutura aconteceram na gestão de Raimundo Araripe: Parque aquático, biblioteca, novos blocos de construção civil e eletrotécnica e mais equipamentos e oferta de mais vagas.

Com a mudança para Centro Federal de Educação Tecnológica, CEFET-CE houve o fim da gestão de Raimundo Araripe, o fim da Escola Técnica Federal. Nas gestões posteriores, mandados com trocas mais constantes na gestão fez a instituição planejar suas ações de maneira mais coordenada e rotativa, mesmo tendo sido um período em que o Governo Federal não valorizou a gestão pública do ensino tecnológico. A mudança trouxe o ensino superior para o CEFET. 

Lista de gestores

José Pompeu de Souza Brasil ---------------------- 23.09.1909 - 02.04.1910
Thomas Pompeu de Sousa Brasil ----------------- 07.04.1910 - 01.07.1911
Sebastião Cavalcante de Albuquerque ---------- 01.07.1911 - 02.09.1912
Hermenegildo de Brito Firmeza -------------------- 04.09.1912 - 06.08.1913
Carlos Torres Câmara -------------------------------- 25.08.1913 - 31.01.1924
Ernesto Argenta ---------------------------------------- 01.02.1924 - 07.06.1925
Carlos Torres Câmara --------------------------------- 08.06.1925 - 11.03.1939
Waldyr Diogo de Siqueira --------------------------- 29.03.1939 - 23.01.1951
Jorge Raupp -------------------------------------------- 24.09.1951 - 23.01.1957
José Roberto de Mello Barreto --------------------- 25.04.1957 - 05.07.1969
Raimundo César Gadelha de Alencar Araripe - 25.07.1969 - 05.07.1990
José de A. Tavares Rocha --------------------------- 05.07.1990 - 30.07.1994
Samuel Brasileiro Filho ------------------------------ 30.07.1994 - 01.07.1998
Antonio Mauro Barbosa de Oliveira -------------- 02.07.1998 - 01.06.2004
Luiz Orlando Rodrigues ------------------------------ 01.09.2004 - 02.01.2005


terça-feira, 30 de maio de 2017

Carlos Torres Câmara

Timbre em documento oficial da
Escola de Aprendizes Artífice do Ceará
em documento de 1914 acessível no site da FGV
Conheci a figura histórica de Carlos Torres Câmara depois de ter buscado a história do IFCE, seu passado enquanto Escola Técnica Profissional, enquanto Escola de Aprendizes Artífices. Carlos Câmara foi o dirigente que passou mais tempo no comando a Escola de Aprendizes Artífices. Foi ele mesmo o seu consolidador e defensor. Antes dele, passaram rápido, 4 gestores, que não deixaram sua marca no que estava acontecendo com a Escola de Artífices de Fortaleza. A Instituição começou a funcionar em 1910 e Carlos Câmara já estava no comando em 1913, logo foi um breve período de iniciação, sem transformações na instituição.

Foi publicado no "Almanaque do Ceará" de 1922 um relatório detalhado das atividades da Escola de Aprendizes Artífices. Nele consta os gastos anuais, as matrículas totais e a frequência média dos alunos. Consta ainda a lista dos alunos concludentes até 1921, dos cursos ofertados. O relatório apresenta a situação em que se encontrava a escola e como os esforços de Carlos Câmara resultaram em melhoramentos. Ressalta também a preocupação com a questão pedagógica. Sua preocupação foi abordada em publicação intitulada de Revista Pedagógica. Ela era bimestral e seu primeiro volume surgiu em janeiro de 1917. Barão de Studart é citado por Plácido Aderaldo Castelo em seu livro "História do Ensino no Ceará", dando notícia  de que a Revista Pedagógica foi uma publicação valiosa para a difusão do ensino e problemas pedagógicos e didáticos.

Imagem ilustrativa do Diário Oficial do Estado
com a publicação do Decreto nº 548.
Confira original no site do DOE.
Carlos Torres Câmara foi um jornalista. Se lançou na política e exerceu mandado de deputado estadual de 1909 até 1912. Escritor de peças de teatro e um dos fundadores do grupo teatral, Grêmio Dramático Familiar. membro da Academia Cearense de Letras, foi muito fecunda sua produção intelectual. Procurando a internet é possível conferir um monte de textos e suas produções. No site da Academia Cearense de Letras é possível conferir uma cronologia de sua biografia, entrevista e suas obras teatrais.

No livro de Plácido Castelo existe um relato que aponta para um fato conclusivo: foi Carlos Câmara quem comandava o já Liceu Industrial de Fortaleza, quando foi articulada a aquisição e construção de uma nova sede, definitiva, para a instituição. Tal fato aconteceu com o Decreto nº 548 de 4 de maio de 1939, 54 dias depois do falecimento de Carlos Câmara. A nova sede na Avenida 13 de maio foi inaugurado em 19 de março de 1952. Foi construído pela Construtora Emílio Hinko Ltda. Na época da inauguração era denominada "Escola Industrial do Ceará".

Assinatura de Carlos Torres Câmara acessível no site da FGV
Bibliografia
COSTA, Marcelo: Carlos Câmara: O mestre cearense da burleta. Fortaleza, SECULT, 1994
QUINDERÉ, Caio: A Poética de um tempo: Estudos sobre o teatro de Carlos Câmara. Fortaleza: Premius, 2008
DIÓGENES, Osmar: Asilo de mendicidade: memória histórica. Fortaleza: INESP, 1997
AZEVEDO, Miguel Ângelo: Cronologia Ilustrada de Fortaleza. Fortaleza: UFC, 2001